Pe Osnildo Carlos Klann, scj

Desde 2007, o padre Osnildo realiza sua missão dehoniana na República Democrática do Congo e, através de reflexões, notícias e informações, partilha suas experiências missionárias.

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terça-feira, 21 de agosto de 2007

Edição 09

Hoje, prezados(as) amigos(as), envio-lhes um resumo da corajosa declaração dos bispos congoloses a respeito da situação atual do país, que é muito instavel.
O país atravessa um momento bastante delicado, com grandes esperanças do povo, mas com a ameaça de total frustração se as promessas feitas não se concretizarem durante esse novo governo democrático. A todos vocês minha carinhosa saudação. Um abraço bem brasileiro. P. Osnildo


Voz profética dos bispos congoleses

Em sua 43a. assembléia geral desse ano, de 3 a 7 de julho, os bispos congoleses emitiram um documento « Vinho novo em odres novos », onde exprimem, com clareza,suas preocupaçôes em relaçâo ao futuro do pais e fazem veementes apelos aos atuais governantes no sentido de cumprirem o prometido nas ultimas eleiçôes, pois o povo està esperando ansiosamente a concretizaçâo dos projetos de crescimento do pais propostos, antes das eleiôes.

As preocupaçôes
Entre as preocupaçôes ,os bispos assinalam a persistência dos anti-valores que corroem a sociedade congolesa. « Nenhum pais se constroi desprezando os valores morais »(n. 9). Outra preocupaçâo : a crescente insegurança : a situaçâo atual do pais é ainda muito insegura : roubos, assaltos, prisôes arbitràrias, taxas e pedàgios excessivos sem retorno em termos de beneficio para o povo ; a crescente tensâo social provocada pela proxima exploraçâo do petroleo no Lago Alberto, em Ituri. A populaçâo nâo terà nenhum beneficio com essa exploraçâo.Tudo irà cair nas mâos de estrangeiros e invasores. Os bispos alertam ainda para o fato que as riquezas naturais do pais, como os minerais, as florestas, o petroleo em vez de contribuirem para o desenvolvimento do pais e o bem dos cidadâos, sâo causas de sua desgraça, pela ganância dos exploradores estrangeiros. E preciso rever contratos mal feitos que comprometem a soberania nacional e roubam aos trabalhadores congoleses seus direitos e sua dignidade.
Outro fato grave que preocupa os bispos sâo os assassinatos de jornalistas e de outros cidadâos ; violências essas que ficam em geral impunes.
Os bispos lembram ainda a situaçâo dos jovens, dos marginalisados e dos menores de rua. Muitos nâo vâo à escola porque nâo têm condiçôes financeiras e porque sâo obrigados a ajudar a economia familiar, trabalhando em màs condiçôes, sacrificando sua saude e sua dignidade. Os bispos apelam ao governo para que tome providências urgentes, visando socorrer as « crianças da rua e os ‘ feiticeiros ‘ que sâo uma bomba de efeito futuro, se a sociedade deles se esquecer hoje » (n. 14).
O pais vive um momento dificil, depois de vàrias guerras, que destruiram toda a infraestrutura. Principalmente, a rede rodoviària e ferroviària està em estado de miséria, para nâo dizer que realmente nâo existe mais, em muitas regiôes do pais. A saude està em coma. Os hospitais e os postos de saude nâo oferecem as minimas condiçôes de higiene e de atendimento à populaçâo.

Os apelos
Diante de tudo isso, os bispos fazem veemente apelo às autoridades constituidas no sentido que ponham em pràtica as promessas feitas antes das eleiçôes. O Congo tem que decolar, sair dessa situaçâo de marasmo e estagnaçâo. Mas, antes de tudo, é preciso restabelecer na sociedade os valores éticos, mudar a mentalidade, banir a corrupçâo e a impunidade. Para isso, mister se faz mudar a mentalidade, coisa dificil que deve passar por uma « boa educaçâo aos valores na familia, na escola, nos meios de comunicaçâo social e num ambiente moralmente sadio »( 17). Segundo os bispos , o Congo deve reconquistar sua independência, para se libertar do neo-colonialismo, que tenta controlar o poder, explorar os recursos minerais, florestais, fluviais e lacustres em prejuizo do povo congolês. Ainda na opiniâo dos bispos, um trabalho de descentralizaçâo, bem feito, pode ajudar o esforço de progresso e desenvolvimento da naçâo.
O desenvolimento desejado para o Congo deve ser solidàrio: todo povo tem direito de sentar-se à mesa do banquete e nâo ficar catando as migalhas que dali caem, como o pobre Làzaro.
Concluindo, os bispos fazem apelo a diversos segmentos da sociedade :

Ao governo
Ao governo, para que tenha a coragem politica e nâo tenha medo de enfrentar as ameaças de contratos mal feitos, de expoliaçâo do patrimonio publico, do desvio do dinheiro publico, de assassinatos, de atentados contra a integridade territorial e da soberania naconal. Pedem os bispos que o governo divulgue os resultados dos procesos sobre o massacre do Baixo Congo, do conflito de fronteira, em Kahemba e do incendio de Mbandaka ; que reforce as fronteiras nacionais para repelir prontamente invasôes.
Mister se faz colocar ordem no setor mineiro e florestal. As riquezas do pais devem ficar no pais; que os exploradores das riquezas naturais, criem industrias de transformaçâo dos produtos brutos, no pais.
Antes de aceitar novos investimentos no pais, é preciso rever os contratos mal feitos, no passado.

Ao povo
Ao povo, os bispos pedem que diga nâo à mentalidade assistencialista. O povo deve assumir a responsabilidade de seu proprio progresso e desenvolvimento. Todos devem assumir sua parte nesse desenvolvimento. E preciso assumir uma cultura do trabalho bem feito, sâo e perseverante: é preciso “banir a mentalidade do menor esforço, da mendicância e da ociosidade que se instala cada vez mais na mentalidade” do povo (n.24). Com o trabalho duro e com o suor de proprio rosto, se constroi o pais. Exortam os bispos ainda os concidadâos à pràtica dos valores como: o rigor intelectual, o amor ao trabalho manual,o pagamento dos impostos, o espirito de ordem e de disciplina, o sentido de limpesa, o respeito e a proteçâo do bem comum. (cf n. 24).

A comunidade internacional
A comunidade internacional, os bispos pedem, como jà o fez Joâo Paulo II e Bento XVI, o perdâo imediato, total e incondicional da divida externa. Pedem também que os paises ricos redusam a venda de armas, combatam o tràfico ilegal de matéria prima preciosa e a fuga de capital dos paises pobres, ajudando assim no combate à corrupçâo e à lavagem de dinheiro. (n.25)

A Monuc (Missâo da ONU no Congo)
A MONUC, os bispos solicitam que dê à populaçâo uma proteçâo efetiva. Caso contràrio, o povo começarà a duvidar da eficiência e da oportunidade de sua presença no pais.Concluindo, os bispos escrevem : «A crise de nosso pais é antes de tudo ética. O pais tem necessidade urgente de homens novos e integros. Uma mudança radical no comportamento pessoal, social e politico poderà trazer novo jeito de gerir a Republica. O novo Congo serà fundado sobre valores republicanos, morais da vida social, e sobre os valores evangélicos » (27).

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