Pe Osnildo Carlos Klann, scj

Desde 2007, o padre Osnildo realiza sua missão dehoniana na República Democrática do Congo e, através de reflexões, notícias e informações, partilha suas experiências missionárias.

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sábado, 21 de março de 2009

De volta à São Gabriel

Meus amigos, minhas amigas

Saudações brasileiras !

Estou de volta a Kisangani, há uma semana. Depois de curtir um mês o frio e a chuva de Butembo, volto ao calor de Kisangani. Tenho muita coisa a lhes dizer sobre minha estada lá no leste congolês, justamente, no Estado, onde acontecia a diabólica guerra de Nkunda.

De volta à minha comunidade de São Gabriel, não tive tempo para respirar. Diariamente, uma procissão de pedintes de todo tipo vem bater à minha porta pedindo ajuda financeira para seus problemas.
São adolescentes, crianças, jovens que pedem dinheiro para pagar a mensalidade escolar, pois foram expulsos da sala de aula por falta de pagamento; são pais que vem com o s mesmos pedidos, pois ainda não receberam o salário ridículo
que ganham, sempre com meses de atraso, quando ganham; são desempregados que pedem
ajuda para comprar uma máquina fotográfica, por exemplo, para poderem trabalhar, ou pás , machados, foices, para fazer uma plantação; universitários pedindo ajuda para retirar seus diplomas ou, os que ainda não terminaram os estudos, para pagar as anuidades e outras
despesas ( para passarem de ano devem dar alguma gorjeta para os professores!!!). Outros vêm pedir folha de papel para fazerem seus trabalhos escolares. Pedem tudo: caderno, lápis, régua, caneta...bola para jogar, roupa para vestir, quepes para se proteger do sol.
Inclusive, nesta semana tive um caso muito triste: uma jovem senhora grávida de oito meses, abandonada pelo marido, que foi buscar fortuna, nas minas de diamante do Congo, deixando na rua da amargura, a esposa com filho no ventre, veio me procurar pedindo ajuda, pois não tinha cama, não tinha colchão, não tinha dinheiro para pagar o aluguel de sua tapera, não tinha o que comer.
Evidentemente que não pude me furtar a essa ajuda. Telefonei para uma irmã franciscana de uma maternidade daqui para tomar todas as providências necessárias para o nascimento dessa criança. Com o dinheiro que recebi de amigos brasileiros posso dar essa assistência a essa mãe. No entanto, é só um caso, entre centenas que acontecem nesta pobre e desorganizada cidade de Kisangani.

Aqui existe a Caritas, uma seção em nossa paroquia, mas ineficiente. Aliás não há como arrecadar fundos para ajudar os outros. Pois todos são necessitados. Na verdade, não conheço, em nossa paroquia, uma família que a gente possa dizer que vai bem economicamente. Por causa dessa triste situação econômica, a realidade familiar é alarmante.

Apesar de toda essa pobreza, esse povo ainda dança e canta. As crianças são simpáticas e queridas, apesar da cara suja, da roupa rasgada e da barriga vazia.

Minha tristeza à noite é quando me lembro que não pude ajudar todo mundo; que devo caminhar ao ritmo da paroquia, controlando as ajudas, para não ser enganado, pois espertalhões existem em todas as partes. A ajuda para os alunos procuro fazer através da escola que conhece as crianças mais necessitadas. Ajudo no que posso, é verdade.

Apesar dessas dificuldades, desses ingentes problemas que machucam a gente, estou contente, com saúde e disposto a continuar em meu trabalho aqui até que minhas forças físicas permitirem;

Rezem por mim! Rezo por vocês.

Um abraço bem brasileiro a todos e a todas.
P. Osnildo

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