Apenas entrei em meu escritório, depois do descanso da tarde, e alguém já batia à minha porta. Mal humorado, pois, nem tinha ainda começado a trabalhar, e já alguém pedindo dinheiro... pensei com meus botões. Abri. Dito e feito. O rapaz de ontem, de novo aqui. Ontem ele veio com uma carta do pai, implorando ajuda para a inscrição na escola. Como aqui eles mentem muito e é preciso ser muito prudente para não ajudar malandros ou crianças que vêm a mando de adultos aproveitadores, disse-lhe que devia esperar, pois queria saber quem ele era, onde morava etc.
Mas nem deu tempo para saber nada dele. Estava ele ali, de novo, diante de mim, com uma cara triste, roupa suja e rasgada, descalço.
- Padre, me dá um terço!
Foi a porta de entrada. Fui buscar o terço; enquanto isso ele se sentou na cadeira à frente de minha escrivaninha. Dei-lhe o terço. E ele, com grande tristeza no rosto e na voz, me disse:
- A gente sofre muito.
Essas palavras caíram como uma bomba em meu coração. Não tive mais duvidas.
- Qual é seu nome?
- João Paulo.
- Quantos anos tem?
- 16.
Pela aparência fisica dava-lhe apenas uns 12 ou 13 anos.
- Quantos irmãos e irmãs você tem?
- 9.
- Que faz seu pai?
- É desempregado. Desde ontem que não como. E essas são minhas roupas!
Como resistir a uma realidade tão bruta como essa? O jovem era sincero. Junto com a ajuda solicitada, dei-lhe um emocionado abraço, pedindo a Deus que o abençoasse.
Quantos João Paulo andam pelas ruas de Simisimi!
de Kisangani, pe. Osnildo Carlos Klann,scj
Pe Osnildo Carlos Klann, scj
Desde 2007, o padre Osnildo realiza sua missão dehoniana na República Democrática do Congo e, através de reflexões, notícias e informações, partilha suas experiências missionárias.
Para entrar em contato, escreva para ocklann@yahoo.com.br
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sábado, 13 de junho de 2009
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