Pe Osnildo Carlos Klann, scj

Desde 2007, o padre Osnildo realiza sua missão dehoniana na República Democrática do Congo e, através de reflexões, notícias e informações, partilha suas experiências missionárias.

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sábado, 13 de junho de 2009

O relojoeiro

Meu relógio parou. Comprei nova bateria. Não adiantou. Fui procurar um relojoeiro. Encontrei-o sentando atrás de uma pequena mesa, cheia de velhos relógios, com instrumentos primitivos para os consertos: um pedaço de gilete, para raspar a sujeira do relógio, uns panos sujos para limpar as peças, um monte de peças usadas para possíveis futuros usos, tampas de lata para guardar as peças dos relógios desmontados, umas pinças para pegar principalmente, os ponteiros; outras pequenas bugigangas deixavam pouco espaço livre, na mesa, para o trabalho do relojoeiro.

Um congolês de meia idade, de óculos, examinou meu relógio e disse:
- É sujeira.
- Quanto vai custar a limpeza?
- Um dólar!

E ele começou o trabalho. Ofereceu-me, primeiro, o banco a seu lado para sentar. Preferi ficar em pé, diante dele para ver seu trabalho. Desmontou totalmente o relógio. Pensei comigo: vai sobrar peças no fim do trabalho!
Com o pedaço de gilete raspava a sujeira e com um pincel de barba limpava as peças, o mostrador, o vidro...
Terminado esse trabalho, começou a montar o relógio. Sem óculos especiais de aumento. Sem lupa. Só com seus velhos óculos de grau. Recolocar os ponteiros não foi fácil.
Tudo pronto, me entregou o cronômetro. Verifiquei que o ponteiro dos segundos parava, de vez enquanto. Abriu novamente o relógio. Retirou os ponteiros. Recolocou-os no lugar. Dava algumas batidinhas de leve, com a pinça, em cima do ponteiro teimoso. Enfim, tudo funcionava a contento. Consertou também a pulseira.

_ Quanto sai?
- Dois dólares!
- Havíamos combinado um dólar.
- Mas o conserto da pulseira?!!

Apresentei-lhe cinco dólares. Devolveu-me 2.400 francos congoleses.

Não pensem que tudo isso se desenrolou dentro de uma sala, de uma relojoaria. Não. Foi ali, na calçada de uma rua central de Kisangani, perto do mercado central. Ao lado do relojoeiro trabalhava o alfaiate com sua antiga máquina de costura. Costurava um vestido vermelho de menina. Do outro lado, um jovem depositava um saco cheio de mercadorias , em cima de velhas malas. A frente, espalhados pelo chão da calçada sapatos, de homens e mulheres, tênis de marca, certamente todos pirateados, chinelos, panelas, roupas; montes de colchões de espuma; mais adiante, cambistas, com pilhas de francos congoleses, expostos em suas mesinhas de trabalho. Gente inúmera passava por ali ou querendo comprar algo ou vendendo os mais variados produtos, desde amendoim, “baigné” ( espécie de bolinho de trigo) até produtos de beleza para mulheres. Não faltaram os pedintes.
O centro comercial de Kisangani é assim. Um verdadeiro formigueiro. Além das pequenas lojas onde se vende quase de tudo, os camelôs ocupam toda a extensão das calçadas num fantástico mosaico de objetos à venda, provenientes principalmente da China, de Taiwan, de Dubai, de outros paises do Oriente e de paises africanos.

Assim é a nossa Kisangani!

P. Osnildo Carlos Klann, scj

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