Prezados amigos e amigas, envio-lhes a 2a parte do artigo sobre minha viagem ao leste congolês. Antes, porém, quero fazer uma "corrigenda" ao artigo anterior. Como escrevei, as estatísticas daqui não são muito confiáveis. Na verdade, pesquisando mais, descobri, em publicação recente, que a informação do comerciante de Butembo sobre a população dessa cidade não corresponde à verdade. Ele me dizia tratar-se de um rescenseamento do tempo das eleições. Ora, em tempo de eleição pode ser que até alguns "mortos" sejam contabilizados em vista da votação!!!! A população de Butembo é de 165.333 habitantes, não de 800.000 como erradamente escrevi na primeira parte. Obrigado pela compreensão.
P. Osnildo
Rumo ao leste congolês
2a parte
Noviciado Sagrado Coração de Jesus
Nosso noviciado situa-se numa colina, a 1.700 metros acima do nível do mar, 100 metros mais alto que o centro de Butembo. E(é) uma construção nova. São 5 blocos, mais o pavilhão da garagem e da cozinha. A capela octogonal fica no centro desses blocos distribuídos à direita e à esquerda de quem sobe por um corredor que liga todas essas alas. São 32 quartos para noviços e visitantes e mais cinco apartamentos para a comunidade religiosa.
Entre as diversas construções, jardins bem cuidados, flores, grama cuidadosamente aparada, trepadeiras ; tudo isso cria um agradável ambiente de paz e tranqüilidade, ainda mais pelo local onde tudo isso se encontra : uma colina enorme de onde se tem uma visão panorâmica espetacular sobre os arredores montanhosos da região.
Fora do recinto do noviciado, dois quiosques, locais para acolher as pessoas, para fazer recreação ou mesmo para estudo e meditação. Além disso, galinheiro, estrebaria, chiqueiro, rancho e contêineres para guardar ferramentas e outros objetos. Não falta, naturalmente, um grande campo de futebol.
O noviciado possui aproximadamente 80 hectares de terra, onde se planta milho, banana, soja, batata doce, mandioca e outros produtos para alimentação. Não falta uma grande horta. Há muita pastagem para vacas leiteiras e ovelhas e uma imensa plantação de eucaliptos, aliás, arvore muito comum nessa região.
São 7 noviços e 5 postulantes. A comunidade religiosa se compõe de quatro pessoas : o mestre de noviços, o ecônomo, o responsável pela Igreja de Kiragho e o irmão administrador.
Durante os 40 dias que lá passei, dei o curso sobre nossa Regra de Vida, isto é, as normas que orientam nosso modo de ser e de agir, como religiosos, seguidores do carisma de P. Dehon.
A impressão que tive é que estava no Tabor. Lugar alto, silencioso, agradável, pois a temperatura era sempre fria e as noites favoráveis a um sono repousante. Sempre com dois grossos cobertores.
Além do curso, ocupei bem meu tempo com muita leitura, meditação, oração. Cada dia fazia meu passeio a pé, durante uma hora, subindo e descendo o morro e observando o ir e vir desse povo, que aqui também é bem sofredor.
O grande problema é a falta de energia elétrica. O noviciado tem um gerador que funciona das 18h30 até às 22h. Não funciona mais porque o olio diesel aqui é muito caro.
Há um projeto de construir pequena usina elétrica, em nosso terreno. Uma entidade caritativa da Alemanha estaria disposta a patrocinar. Por enquanto só estudo, para verificar a viabilidade do empreendimento.
A comunidade possui um carro e um caminhão. O carro estragou. Foi para Mambasa, na oficina. Mas durante todo o tempo que lá estive não tinha ficado pronto, por causa da falta de peças de recambio. O grande problema que aqui se tem é justamente a falta de peças para substituir as estragadas. Se existem são muito caras e, às vezes mais caras que o próprio objeto do conserto.
Kiragho
É um bairro de Butembo. Fica a 12 quilômetros do centro da cidade. A população, é pobre, mas trabalhadora. As casas sâo um pouco melhores que em outras partes. Hà muitas pequenas fazendas de gado : vaca, boi, ovelha, cabrito. Plantam também milho, batata doce, batatinha, aipim cujas folhas, « sombe », são base da alimentação em quase todo o Congo.
Em meus passeios diários, observava a mesma e triste cena de outros lugares do Congo : mulheres e crianças carregando pesados fardos em suas costas : lenha, batata, carvão, óleo, folhas de aipim, farinha, cebola… O mais pesado mesmo, e que faz as pobres mulheres caminharem completamente encurvadas, é a lenha que carregam, quilômetros de distância, para preparar a comida e também para aquecer as frias noites de Butembo.
Os homens transportam essas mercadorias em bicicletas e em motos. E (é) de se ver, a habilidade que têm em carregar as bicicletas de mercadorias. Como há muitos morros, na maior parte do caminho, empurram os veículos.
P. Paul, um jovem polonês, é o responsável da capela de Kiragho, que ainda não tem padroeiro, porque sua construção é recente, e a paróquia não foi ainda erigida, apesar de possuir já uma grande igreja e uma boa casa paroquial. O bispo daqui só cria paróquias com ao menos três padres. Por enquanto a província scj do Congo so dispõe de um padre para essa localidade.
Mesmo não sendo ainda oficialmente paróquia, Kiragho funciona como tal. P. Paul se desdobra para atender não só a futura matriz, como as outras capelas que são também grandes construções. Nesse sentido o povo daqui é bem dinâmico, como já escrevi na primeira parte desse artigo. São pobres, mas dão o que podem pela igreja. O padre não tem ainda carro. Faz suas viagens apostólicas em moto. As missas são em swahili, mas com oração dos fieis e também cânticos em « kindande », a língua local da região. ( Já escrevi em artigos anteriores, que no Congo há aproximadamente 242 grupos tribais e cada grupo tem sua língua própria).
Numa terceira parte desse artigo, vou descrever nossa viagem a Mambasa, onde a Província SCJ do Congo possui uma exemplar obra de promoção humana.
Pe Osnildo Carlos Klann, scj
Desde 2007, o padre Osnildo realiza sua missão dehoniana na República Democrática do Congo e, através de reflexões, notícias e informações, partilha suas experiências missionárias.
Para entrar em contato, escreva para ocklann@yahoo.com.br
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quarta-feira, 23 de abril de 2008
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