Minha primeira missa
(27 de abril de 2008)
Pela primeira vez, fui celebrar missa, em swahili, numa capela do interior de nossa paróquia, no Bairro Babula, capela Nossa Senhora do Caminho ( Notre Dame de la Route), não longe do Centro de Simisimi.
Comigo foi o diácono Richard, para fazer a leitura do Evangelho e fazer a pregação, pois não consigo ainda falar o swhali nem o lingala.
Em todas as igrejas e capelas do Congo, há sempre um coral, que canta realmente com entusiasmo e canta bastante. Os cânticos são geralmente longos. Na missa, dominical cantam todas as partes possíveis, inclusive o Credo. Aqui não foi diferente. A participação dos fiéis é intensa: cantam, dançam, gritam, riem...
A capela é pequena e pobre. Durante a homilia, que o diácono fez em lingala, pois ele também não conhece ainda bem o swahili, minha imaginação voou para longe, pois não entendia nada do que ele falava. Vi-me em concelebração com o Papa João Paulo II, em sua capela particular; vi-me em concelebrações na Basílica São Pedro, em Roma. E agora aqui, na humilde e pobre capela de Nossa Senhora do Caminho. Em vez das paredes e tetos ornados de pinturas celebres, afrescos de pintores famosos, vejo o teto todo furado; as paredes sem pintura, feitas de bambu e argila, quase caindo. Em vez de vitraux com cenas biblicas, vejo janelas como de nosss prisões, so que em vez de ferro, os retângulos são de bambu. Em vez do assoalho de mármore, vejo a terra batida, irregular, cheia de buracos e pó. Em vez do altar e das alfaias de rico material, vejo um tronco rústico servindo de altar e alfaias sujas. Em vez de bancos de madeira escolhida, vejo bancos de bambu, com assentos de troncos de árvore mal cortados. Em vez do ar condicionado, um calor insuportável. Olhando para fora da capela, em vez do espetáculo maravilhoso de uma Praça São Pedro, vejo o mato crescendo, a rua esburacada, o capim ao redor da capela. Em vez de fiéis bem vestidos, com roupa de luxo, sapatos da moda, perfumados, vejo mulheres, homens e crianças, vestidos humildemente, transpirando muito e sem perfume; alguns descalços, outros de chinelos, poucos com velhos sapatos.
Mas o essencial é tudo a mesma coisa: tanto lá como aqui nessa humilde capela, onde o diácono está pregando, o CRISTO se faz presente na hóstia, não bem redonda, e no cálice nem de ouro nem de prata. O espetáculo maravilhoso do milagre da Eucaristia repete-se aqui como lá. Sem nenhuma diferença. O valor da missa não está na riqueza do ambiente, mas no amor infinito de um Deus que se faz presente no meio de nós, sob a espécie do Pão e do Vinho.
Sinto-me igualmente feliz celebrando lá como aqui. Talvez melhor aqui, pois aqui precisam mais da gente que lá.
Sob os aplausos dos fiéis, o diácono termina sua homilia e eu, feliz, continuo concentrado agora, minha primeira missa numa capela do interior da paróquia.
Pe. Osnildo Klan, scj
Kisangani, 27 de abril de 2008.
Pe Osnildo Carlos Klann, scj
Desde 2007, o padre Osnildo realiza sua missão dehoniana na República Democrática do Congo e, através de reflexões, notícias e informações, partilha suas experiências missionárias.
Para entrar em contato, escreva para ocklann@yahoo.com.br
Para entrar em contato, escreva para ocklann@yahoo.com.br
segunda-feira, 28 de abril de 2008
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário