Pe Osnildo Carlos Klann, scj

Desde 2007, o padre Osnildo realiza sua missão dehoniana na República Democrática do Congo e, através de reflexões, notícias e informações, partilha suas experiências missionárias.

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segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Noticias de Kisangani

Festa do padroeiro


Dia 28 de setembro celebrou-se a festa do padroeiro da paróquia São Gabriel. As festas daqui não têm o sabor das de lá. Apenas uma missa mais solene; às vezes, desfile das pastorais e movimentos da paróquia, e um almoço. Mais nada. A missa foi bem solene. Um colega meu filmou algumas partes dessa celebração. Vou enviar algumas copias com o P. Mateus Buss, que fará suas férias a partir de 15 de novembro p.v. Na missa foram inauguradas as novas vestes dos coroinhas e das “joyeuses”, cujo tecido e confecção patrocinei com o dinheiro que benfeitores dali me deram. Também colaborei com o almoço, caso contrário não sairia.

Capitulo provincial

De 9 a 16 de outubro esteve reunido aqui no Centro Dom Grison, os membros do capitulo provincial da Província Congolesa. Para quem não conhece nossa estrutura jurídica, o capitulo provincial é a autoridade máxima de uma província religiosa, onde se tomam decisões importantes para vida da Congregação em determinada parte do mundo. Esse capitulo também tem a finalidade de preparar o capitulo geral que acontecerá em Roma, no próximo ano. Na foto os participantes do capitulo.


As estradas do Congo

Realmente é uma vergonha o sistema rodoviário da RD do Congo. Os chineses vieram para cá para solucionar o problema; mas ainda não tiveram tempo de consertar estradas e abrir novas rodovias. Nossos colegas de Butembo e Mambasa, do leste e do norte da RD do Congo, vieram para a reunião capitular de carro. Estrada que os chineses estão consertando. Bons trechos já estão prontos. Mas ainda faltam uns 70 quilômetros. 700 quilômetros de infortúnio. Dois dias de viagem. Se fosse só isso não era nada. Mas o pior é que tombaram o carro, por sorte ninguém se feriu. Depois, no trecho inacabado, alugaram motos. Motoqueiros admiráveis que não têm medo de buracos que engoliam as motos nem de água que tocava até os joelhos de todos. Muitos quilômetros a pé, caminhando com lama até meia canela. Depois de um pernoite em que tiveram de dormir com roupa completamente suja de barro, e molhados, pois naqueles cafundós não existe chuveiro, continuaram a viagem até onde foi possível pegar novamente um carro, que os foi buscar, partindo de Kisangani. Depois de dois dias de viagem, chegaram aqui em casa extenuados, sujos de barro até a cabeça e se lembrando ainda do susto do desastre com o carro, que poderia ter levado a todos para o cemitério.

Não é fácil sair de Kisangani. “É preciso muita paciência. Seminaristas de Isangi estão aqui hospedados em nosso Centro D. Grison, esperando a oportunidade de viajar até Butembo, no leste. Têm de esperar 10 dias. Chegaram domingo passado e só terça-feira que vem provavelmente terão condição de continuar a viagem.
Nossos colegas que vieram de outros lugares para o capitulo provincial, ainda estão por ali, esperando a oportunidade para voltar para suas casas. Outros colegas que deveriam ter participado da reunião, não vieram, porque não tiveram chance de pegar um avião.
Viaja-se também pelo rio. Mas é um calvário. O passageiro tem de levar tudo. O navio só oferece o local; comida, leito, cadeira para sentar, tudo, tudo o passageiro deve carregar. Uma viagem de Kinshasa para Kisangani (1000 quilômetros aproximadamente) leva “apenas” três semanas. Na foto, vocês poderão ver um desses navios que faz o trajeto Kinshasa e Kisangani.

Na foto abaixo aparece uma parte de um mercado aqui perto de casa.

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