Pe Osnildo Carlos Klann, scj

Desde 2007, o padre Osnildo realiza sua missão dehoniana na República Democrática do Congo e, através de reflexões, notícias e informações, partilha suas experiências missionárias.

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terça-feira, 16 de dezembro de 2008

As "guerras" do Congo

A guerra no leste congolês patina. As conversações de Nairobi, Kenia, entre a delegação governamental e os representantes do CNDP (Congresso nacional de defesa do povo) vão recomeçar a partir do dia 17 de dezembro, apos um primeiro round que, segundo o mediador do dialogo, ex-presidente da Nigéria, Olusegun Obasanjo, foram positivas e já se caminha, um pouco, na direção da paz.
Mas há profundas divergências. A Onu acaba de declarar que Ruana está dando apoio multiforme ao general Nkunda. Mas acusa também a RD do Congo de apoiar outros revolucionários que, a partir do território congolês, combatem o regime de Ruanda, como a FDLR( Forças democráticas para a libertação de Ruanda) e Pareco ( Patriotas resistentes congoleses).
Ruanda não aceita as declarações dos enviados especiais, experts da Onu, a respeito de seu apoio aos revolucionários de Nkunda. Acusa, pelo contrario, a RD do Congo de apoiar milicianos e grupos revolucionários que combatem o regime dos tutsis, em Ruanda, como as FDLR e os Pareco.

Além dos três grupos armados citados acima, há ainda um quarto, que combate e tenta derrubar o governo de Sudão. É o LRA ( Exército de resistência do Senhor). Eles se escondem no nordeste congolês, para invadir o Sudão. Mas estando em terras congolesas, perturbam também os congoleses.

Uma ação conjunta dos militares ugandeses, sudaneses e congoleses conseguiu, domingo passado, desbaratar a principal base do LRA, destruindo seu acampamento principal de Koni, na RD do Congo. Essas operações militares vão continuar até acabar com todos os acampamentos desse grupo revolucionário. A população de Dungu, na Província Oriental de Kisangani, deseja que isso aconteça ainda antes das festas de fim de ano. Além disso, estão preocupados com o que vai acontecer com as crianças e adolescentes recrutados por esse grupo, como soldados.

Como podem observar, as frentes de luta no leste congolês são várias e com grupos armados atemorizando e mesmo escravizando a população, como acontece agora mesmo com os Mai-Mai que, perto de Butembo, mantém a população sob domínio de força.

Esperemos que em Nairobi, os representantes do governo congolês e os enviados de Nkunda cheguem a um acordo e selem a paz. Que o espírito de paz natalino possa inspirar esses homens para abrirem um caminho de paz e prosperidade no leste congolês!

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