Mais um domingo cheio. Missa na capela São Rafael,bairro Batiambombi. Do outro lado do Rio.
Viagem de canoa; 30 minutos até o outro lado. Depois uma caminhada de 45 minutos pelas trilhas do mato. Kolomai, o “piroguier”, na frente, com seu andar defeituoso, uma perna bem mais curta do que a outra. Mas caminha firme, levando minha maleta e a cadeirinha de vime, onde a gente se senta na canoa. Se tem pernas defeituosas, possui, em compensação, braços vigorosos; rema com segurança e é considerado o "mestre das águas" ( 'E o significado de seu nome, Kolomai). De quando em vez, cruzávamos com algumas pessoas. Passamos por três aldeias. Todas pobres. As mesmas casas de sempre: bambu e barro. Os crentes estão presentes também nesses longínquos recantos. Suas igrejas são como as nossas, de bambu, e algumas vezes, bambus cobertos de argila. E o que mais se vê, são crianças sujas, maltrapilhas, mas sempre com uma carinha muito simpática.
Durante a caminhada, de ida e volta, pelo mato, tive tempo bastante para refletir. Lembrei-me que daqui dessas terras africanas, partiram levas e levas de escravos, séculos passados, para o trabalho escravo de nossa pátria. Que sofrimento dessa gente, longe da pátria, dos entes queridos, de suas tradições, obrigados a viver em outra cultura, em outra religião! A presença missionária brasileira, na África, certamente tem um singelo sentido de reparação desse pecado de nossos antepassados. Essa divida do Brasil para com a África é muito grande e é preciso reparar esse mal.
Passando pelas aldeias, tive a impressão de estar voltando aos séculos XVIII ou XIX. Penso que de lá para cá pouca coisa mudou nesses recantos. Talvez até tenha piorado. E se pergunta: vai ainda mudar?
A volta levou 1h45m. Subindo o rio Congo, lentamente.
Mais um domingo, com muito cansaço, sem comer, pagando para trabalhar, mas contente da vida, pois ajudamos o próximo!
P. Osnildo Carlos Klann, scj
Dezembro de 2008.
Pe Osnildo Carlos Klann, scj
Desde 2007, o padre Osnildo realiza sua missão dehoniana na República Democrática do Congo e, através de reflexões, notícias e informações, partilha suas experiências missionárias.
Para entrar em contato, escreva para ocklann@yahoo.com.br
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