A delegação do governo congolês e os representantes do CNDP (Congresso nacional da defesa do povo) do revolucionário Nkunda, reunidos em Nairobi, Quênia, ainda não chegaram a um acordo para a assinatura do cessar-fogo, no leste congolês. A cerimônia da assinatura estava prevista para quinta-feira passada. Os representantes do CNDP entraram com nova exigência: querem a presença, na reunião, dos presidentes da duas Casas do Congresso congolês e os presidentes dos partidos do governo e da oposição. Os representantes do governo congolês nâo aceitaram essa condição. A assinatura foi então adiada para sexta-feira, dia 19. Diante das divergências das duas partes, o mediador das conversações, o ex-presidente da Nigéria, Olusegum Obasanjo se propõe impor o cessar-fogo, segundo as informações da Radio Okapi. Sem nenhum resultado positivo as conversações continuaram sábado e domingo, dia 21 de dezembro.
Nesse domingo, a reunião de Nairobi, Quênia, terminou melancolicamente. Pelo jeito os revolucionários de Nkunda não querem mesmo a paz. Querem a guerra. Os argumentos que agora apontam para não assinar o acordo são falsos, segundo o mediador do conflito. Acusam o exercito congolês de atacar suas posições. O que não corresponde à verdade.. A própria MONUC ( Missão da ONU no Congo) constatou “in loco” que nenhum ataque foi desferido pelo exercito congolês contra as posições de Nkunda.
Somente os representantes do governo congolês assinaram os termos de cessar-fogo. E esse gesto unilateral revela a “boa vontade” do governo congolês de estabelecer a paz.
Os representantes dos dois lados concordaram em continuar as conversações a partir do dia 7 de janeiro de 2009. Mais um tempo de esperança. A continuação desse frágil cessar-fogo unilateral objetiva facilitar o encaminhamento de ajuda humanitária aos flagelados da guerra e pode ajudar também a continuação do diálogo entre as partes, em clima mais tranquilo, segundo os observadores.
A impressão que se tem é que realmente não existe nenhuma boa vontade em terminar essa guerra. Essa impressão inicial continua, apesar do teatro que fazem as partes beligerantes e as forças ocultas que estão atrás de tudo isso. Por que isso? E o povo sofre.
P. Osnildo Carlos Klann, scj
Kisangani, 21 de dezembro de 2008
Pe Osnildo Carlos Klann, scj
Desde 2007, o padre Osnildo realiza sua missão dehoniana na República Democrática do Congo e, através de reflexões, notícias e informações, partilha suas experiências missionárias.
Para entrar em contato, escreva para ocklann@yahoo.com.br
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